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A primeira edição do Fórum de Tecnogenética, realizado no sábado, na Expocop 2010, foi um grande sucesso. Cerca de 250 pessoas – a maioria estudantes - participaram do evento, que reuniu quatro dos maiores especialistas da pesquisa pecuária brasileira. O fórum foi aberto pelo presidente da Sociedade Rural da Região de Cornélio Procópiro (SRRCP), José Roberto Höfig Ramos, que lembrou que este foi “apenas o embrião” do que a entidade pretende realizar nos próximos anos.
Segundo Höfig Ramos, o objetivo da SRRCP é trazer a informação para mais perto do produtor e tornar a tecnologia disponível mais acessível. “Um dia só é pouco para demonstrar tudo o que está sendo desenvolvido no país e até no exterior. Por isso, nos próximos anos, este evento vai crescer em dias e conteúdo”, garantiu.
O Fórum começou com a palestra do professor-doutor José Bento Ferraz, da USP de Pirassununga, que fez um apanhado geral sobre os principais problemas da pecuária brasileira e falou sobre os avanços de programas de melhoramento genético no aumento da produtividade.
Para Ferraz, o pecuarista ainda é um extrativista que não se conscientizou da importância de melhorar o sistema de produção, investindo na conservação ambiental. “Terra é um negócio que precisa ser bem cuidado. Erosão, falta de árvores, nascentes comprometidas são problemas que reduzem a produtividade”, afirmou.
Para ele, não importa o tipo de produto que o produtor busca: gado para cria e recria, cruzamento industrial, elite, animais rústicos ou não. “O que se precisa pensar é ter eficiência e produtividade. Pensa que o nosso produto é o dinheiro, oriundo da carne”, afirmou.
Segundo o professor, o sistema de produção perfeitamente orientado tira o máximo da terra preservando o ambiente. “O sistema de produção tem que levar em conta não só manejo e selecionamento, mas todo o trabalho envolvido. Tem produtor rural que tem o melhor gado mas há 25 anos não faz reformas na pastagem. Passa a corrente e tira todas as árvores, esquecendo que o boi gosta de sombra”, disse.
No quesito selecionamento, Ferraz lembra que é preciso: conhecimento; definição de objetivos e critérios; e aplicação das melhores técnicas de seleção e metodologias de geração de DEPs (diferenças esperadas na progênie). “O que é o melhoramento animal? É a alteração da freqüência de genes. O animal é resultado da genética e do ambiente”, explicou.
Segundo ele, é preciso prestar atenção em alguns fatores. O desempenho do animal é resultado da alimentação mais a nutrição, mais manejo mais efeitos do ambiente mais qualidade de mão de obra mais instalações adequadas mais genética. “Em cruzamentos industriais, há que se levar em conta ainda a heterose e os ectoparasitas”, lembrou.
Com tudo isto, o professor lembrou que as compras de gado para melhoria do rebanho ainda são feitas pelo “olho”. “Nos leilões, a pessoa se deixam levar pelo emocional e acabam comprando animais caríssimos, pensando que estão fazendo bons negócios, o que nem sempre é verdade”, disse. Segundo ele, ninguém compra um trator sem pesquisar as especificações técnicas, comparar marcas e analisar tudo. “Os touros e as vacas são nossas máquinas de fazer bezerros. E os bezerros precisam ser adequados à nossos objetivos. Então, porque se compra animais ainda baseados em métodos de análise ultrapassados?”, afirmou.
Para Ferraz, o produtor tem que saber fazer as contas: o valor do animal é baseado naquilo que vai render em termos de bezerros. “DEPs é dinheiro no bolso. São as especificações técnicas de nossas máquinas”, assegurou. Segundo ele, a pecuária de corte brasileira arrecada sozinha US$50 bilhões anos. “Hoje, o Brasil tem uma demanda de touros de reposição de 500 mil animais ao ano. No entanto, só 10 mil dos tourinhos tem genética comprovadamente superior. É preciso que seja introduzido novas e precisas tecnologias para que haja uma precisão maior no selecionamento”, afirmou.
Ferraz explica que o sistema de marcação molecular é a melhor arma para fazer a análise de desempenho do animal. “Com a marcação molecular, pode-se melhorar a produção de carne sem aumentar a área e fazer o descarte dos maus produtos genéticos. No Brasil, esta tecnologia já está disponível, por um preço acessível. A maioria das centrais já dispõe de sêmens de animais avaliados por marcadores moleculares. O negócio é começar a exigir e analisar cada um antes de adquirir um animal”, afirmou.
Ele elogiou a iniciativa da SRRCP por investir em difusão de tecnologias e motivar os criadores a buscar informações. “As exposições agropecuárias têm seus méritos. Chegamos nas pesquisas que estamos hoje por causa delas, no sentido de chamar as pessoas para aprender, se atualizar. E a Rural de Cornélio está sendo pioneira neste quesito”, afirmou.